Mensaleiro preso pela PF pode ser “laranja” do esquema de Youssef

Julio Cesar Lima

Curitiba (PR) – A prisão do mensaleiro Enivaldo Quadrado e o doleiro Alberto Youssef durante a Operação Lava Jato da Polícia Federal, na segunda-feira (17), pode ter cortado o fluxo de lavagem de dinheiro de um dos quatro grandes grupos que faziam remessas ilegais de dinheiros ao exterior. Segundo uma fonte que pediu o anonimato, a dupla pode ter operado em conjunto durante os últimos anos. “Era uma relação mais de empregado do que de parceria”, disse, indicando que Quadrado pode ter sido um operador dentro do esquema de Youssef, que juntamente com outros três doleiros movimentaram cerca de R$ 10 bilhões nos últimos quatro anos. A Polícia Federal investiga se Quadrado não seria um “laranja” de Youssef no comando da corretora Bonus Banval, envolvida nos escândalos do Banestado e do Mensalão.

A amizade dos dois é antiga. Em depoimento à CPI dos Correios, em 2006, Youssef chegou a negar ter feito negócios com a corretora Bonus-Banval, mas disse que conhecia os ex-diretores da corretora Enivaldo Quadrado e Breno Fischberg. “Como operador do mercado paralelo, precisava ter informações sobre as cotações do dólar futuro”, comentou na época.

Durante a CPI dos Correios, Youssef chegou a negar, segundo o então deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), que teria recomendado a corretora Bonus-Banval ao deputado José Janene (PP-PR). Na mesma época o doleiro Antonio Oliveira Claramount, o Toninho da Barcelona, já havia dito que Youssef indicou a corretora para Janene, que, por sua vez, recomendou-a ao empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de operar o esquema do mensalão.

Tanto Youssef, preso no Maranhão; quanto Quadrado, detido em Assis (SP), estão presos na Superintendência da PF, em Curitiba (PR). Por ter sido beneficiado com a delação premiada na CPI do Banestado, Youssef teve sua pena reduzida, mas agora poderá ter seu benefício revertido e cumprir as penas de forma integral.

Sobre a operação, a Polícia Federal informou que havia quatro grandes grupos que operavam os recursos de variadas formas, desde tráfico internacional de drogas até exploração ilegal de diamantes. Somente um dos grupos movimentou R$ 250 milhões entre 2009 e 2013.

O balanço da operação indicou que foram cumpridos 24 mandados de prisão, além de 15 mandados de condução coercitiva. As buscas resultaram na apreensão de farta documentação, 25 veículos, obras de arte e joias. Contas bancárias utilizadas pelo grupo também foram bloqueadas e imóveis sequestrados.

Desde o início da noite de terça-feira a PF começou a ouvir os acusados.